BofA aumenta projeção de Selic para 2026 e 2027 e vê só mais um corte este ano
Por: Gabriel Caldeira
Fonte: Valor Econômico
O Bank of America (BofA) elevou as suas projeções para a taxa Selic no fim de
2026 - de 13,25% para 14,25% - e de 2027 - de 12,50% para 13,25%. A mudança
para o ciclo atual de política monetária ocorreu diante de um quadro de inflação
doméstica mais pressionada e piora das expectativas, além de um real mais fraco.
Com isso, o banco americano agora só antevê mais uma redução do juro básico
brasileiro este ano, que deve ocorrer na próxima decisão do Copom, em 17 de
junho.
Além da piora já observada no quadro inflacionário, a equipe de economistas
liderada por David Beker, chefe de economia para Brasil e estratégia para América
Latina do BofA, acrescenta que os estímulos fiscais e creditícios do ano eleitoral
têm atrasado os ajustes necessários à demanda interna, ao passo em que fatores
como o provável fim da escala de trabalho 6x1 e o El Niño adicionam mais riscos
à inflação local.
“Nesse ambiente, o espaço para mais flexibilização é limitado, e a barra para
novos cortes tornou-se significativamente mais alta, em consonância com o
retorno a um cenário de juros mais altos por mais tempo. Dito isso, não vemos
aumentos da Selic no horizonte”, diz o relatório assinado por Beker.
Para a próxima reunião do Copom, além do último corte de 0,25 ponto percentual
da Selic, o BofA espera que a inflação projetada pelo colegiado ao fim do
horizonte relevante da política monetária se mantenha em 3,5% - nível que pode
subir a 3,6% caso o dólar se sustente no atual nível perto de R$ 5,15 até a decisão
do Copom.
Para os economistas do BofA, a inflação deve seguir acima do teto da meta (de
4,5%) até meados de 2027, quando o BC deve começar a encontrar espaço para
retomar o ciclo de cortes, possivelmente ao mesmo tempo em que o Federal
Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Além disso, o relatório aponta que, com uma
taxa de juro real “ex-ante” (prevista) perto de 10%, não há necessidade por
aumentar a Selic no curto prazo.
“À medida que os efeitos dos recentes estímulos fiscais e de crédito vão
desaparecendo, a desaceleração cíclica da atividade econômica deverá retomarse
e ajudar a conter a inflação. A retirada do ‘forward guidance’ (orientação